Geronimo Theml

Valor Econômico – Trabalhar de pé faz bem para a saúde

Por: Assessoria de Imprensa

Por Letícia Arcoverde, do jornal Valor Econômico

Sempre que os funcionários da operação brasileira da empresa de meios de pagamento PayPal faziam visitas à matriz americana, eles voltavam comentando sobre uma particularidade do escritório localizado na Califórnia: as mesas com altura regulável, que funcionam como estações de trabalho normais mas também podem ser levantadas para que o profissional as use enquanto fica em pé. Há um ano e meio, quando a empresa precisou ocupar um segundo andar do prédio na Av. Paulista, em São Paulo, a companhia adotou a ideia da sede e instalou o mesmo tipo de mesa. Hoje, uma olhada no novo escritório em uma tarde de trabalho revela mesas de alturas diferentes – algumas pessoas falam ao telefone sentadas, enquanto outras usam o notebook enquanto estão de pé.

Diversos estudos recentes apontam para os perigos de se passar muito tempo sentado ao longo do dia. Entre eles estão problemas cardiovasculares, risco maior de câncer e obesidade. Mais comum nos EUA, a tendência de escritórios usarem mesas com altura regulável para diminuir o tempo que se passa sentado tem crescido no Brasil. Segundo Flavio Batel, diretor de vendas da empresa de mobiliário corporativo Steelcase, cerca de 30% dos projetos realizados recentemente incluem essa demanda.

Ao adotar as novas mesas, os funcionários do PayPal passaram por um treinamento de ergonomia. Agora, a outra metade do escritório, que ainda não passou pela reforma, já pergunta quando os novos modelos de mesa vão chegar ao andar antigo – segundo a diretora de RH para América Latina, Valeria Porto, isso acontecerá em um futuro próximo.

No Brasil há cinco anos, o PayPal hoje emprega 140 pessoas no país. A expansão e reforma do escritório veio junto com um processo de mudança cultural decorrente da separação há dois anos do grupo eBay, do qual a empresa fazia parte desde 2002. “Foi quando tivemos a oportunidade de pensar a própria cultura”, explica Valeria. “A empresa quer focar o bem-estar dos funcionários, e quisemos que isso se refletisse no escritório”. A companhia também oferece convênio com academia, massagem e lanches saudáveis.

Ao mudar seus espaços físicos, hoje as empresas se tornam cada vez mais distantes da tradicional estação de trabalho em que o funcionário passa o dia inteiro sentado no mesmo lugar, diz Batel, da Steelcase. “Há tendência de reduzir as áreas formais, ter mais ‘lounges’ e cafés, e dar mais opções para os funcionários”, diz. Apesar da crise, a Steelcase tem registrado crescimento no Brasil pela demanda de companhias que estão mudando de escritório para economizar custos, seja com espaços menores ou contratos mais baratos. Na mudança, diz Batel, elas aproveitam para mudar também o visual e adotar “novidades” como a mesa com altura regulável.

Os riscos decorrentes do excesso de tempo sentado estão ligados ao sedentarismo. Um estudo publicado no “American Journal of Preventive Medicine” usou dados de 54 países e estimou que se o tempo sentado fosse diminuído em três horas por dia, 433 mil mortes seriam evitadas por ano, ou 4% do total. Leandro Rezende, um dos autores e doutorando do departamento de medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, explica que as informações usadas levam em conta a média de atividade física da população.

Outra pesquisa, feita na Inglaterra e publicada no “International Journal of Epidemiology”, não encontrou aumento no risco de mortalidade de quem passa muito tempo sentado – mas seus participantes se exercitavam com frequência acima da média. “Quanto maior a prática de atividade física, menores os riscos. Mas a maioria da população não consegue atingir o mínimo para que ele não exista”, diz Rezende.

O doutorando destaca que diminuir o tempo sentado em quatro horas diárias é um cenário “utópico” por conta não só da rotina de trabalho da maioria das pessoas, mas pelo longo tempo de deslocamento diário e os hábitos de lazer da população, cada vez mais são sedentários. Justamente por isso, ele considera importante que empresas se atentem para medidas que visam melhorar a saúde e incentivam o bem-estar dos trabalhadores. Além da adoção de mesas reguláveis, ele cita ginástica laboral, incentivos para atividade física, estrutura para quem quer ir ao trabalho de bicicleta, ou até a realização de reuniões em pé ou caminhando. “O indivíduo pode estar super disposto a mudar o hábito, mas se o ambiente não favorece, a mudança não vai se manter no longo prazo”, diz.

Na Elanco, divisão de veterinária da farmacêutica Eli Lilly, a mudança veio com a aquisição da Novartis Saúde Animal, que dobrou o tamanho da Elanco no Brasil e exigiu uma reforma no escritório para acomodar todos os funcionários – parte dos quais passaria a fazer home office em alguns dias da semana. Há seis meses, além da mudança para uma planta sem salas, o padrão da mesa regulável foi “importado” dos EUA, onde também já era adotado pela matriz.

A mesa é usada hoje em uma parte do escritório, e a Eli Lilly tem projeto de expandir para o restante da companhia. A medida combina com uma preocupação com ergonomia que já existia na empresa, segundo Adriana Santana, gerente de RH para Brasil e Cone Sul. Ela explica que além de treinamentos para ajustar a estação de trabalho ao funcionário, os próprios empregados testaram as novas cadeiras do escritório para ajudar na escolha do modelo.

“Vejo as pessoas trabalharem em pé na medida em que chega o fim do dia. É uma forma de mudar de posição”, diz Adriana. Ela mesma tem usado a mesa mais alta quando faz ligações demoradas. Um dos pontos positivos, na sua opinião, é que as estações de trabalho possuem espaço para fazer reuniões rápidas em pé. “Isso incentiva as pessoas a conversarem umas com as outras e a reduzirem aqueles e mails copiando todo mundo”, diz. Essa também foi a motivação para a construção de áreas com mesas altas no café e espaços de integração.

O coach Geronimo Theml afirma que a postura em pé durante esses encontros pode ajudar a acabar com uma grande reclamação do mundo corporativo – as reuniões longas e improdutivas. “Estar em pé aumenta o foco e a produtividade. Ao ficar sentado, o estado do sistema da pessoa não é de atenção. Você tende a ficar mais relaxado, a olhar o celular embaixo da mesa”, diz. Um estudo publicado em 2014 na “Social Psychological and Personality Science” apontou que grupos que fizeram reuniões em pé trabalhavam melhor em equipe e adquiriam um comportamento mais colaborativo.

Quando trabalha de casa, o próprio Theml costuma se organizar para fazer algumas atividades – como responder mensagens de celular – enquanto anda pelos corredores do prédio. No escritório, ele tenta fazer reuniões caminhando, e a equipe improvisou duas mesas de café mais altas, para onde os funcionários podem levar o notebook e trabalhar de pé quando sentirem vontade. Mesmo com a possibilidade e independentemente do modelo de trabalho, no entanto, Theml lembra que não se deve esquecer de fazer intervalos durante o dia – o que é necessário para manter a concentração. “Seja em pé, seja sentado, isso não substitui a pausa necessária”, diz.

 

Reportagem publicada no jornal Valor Econômico:

http://www.valor.com.br/carreira/4742385/trabalhar-de-pe-faz-bem-para-saude

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